quinta-feira, 7 de julho de 2016

Neoclassicismo


O Neoclassicismo foi tendência dominante na arte europeia entre o final do século XVIII e início do século XIX. Caracteriza-se principalmente pela revalorização dos valores artísticos gregos e romanos, provavelmente estimulada pelas escavações e descobertas que estavam sendo realizadas no período nos sítios arqueológicos de Pompeu, Herculano e Atenas.

Os heróis gregos e a simplicidade da arte eram alguns aspectos extremamente admirados dessas civilizações. A valorização do passado que o Movimento propôs é uma de suas principais características que levam a uma boa parte dos críticos crerem que o Neoclassicismo pode ser visto como uma face do Romantismo.

O aparecimento do Neoclassicismo também é considerado uma reação contra os exageros do Rococó, cultuando principalmente a razão, a ordem, a clareza, a nobreza e a pureza, atributos que acreditavam ser inerentes às culturas gregas e romanas. A valorização desses aspectos parece ainda estar intimamente relacionada à época histórica do Movimento, chamado Iluminismo ou “Era da Razão“.

Roma era considerada um dos principais centros do movimento, cidade onde vivia o crítico de arte alemão Joachim Winckelmann (1717 – 1768), considerado o fundador teórico do neoclassicismo, principalmente através de obras como “História da Arte Antiga“.

O estilo neoclássico na França recebeu um grande auxílio dos ideais da Revolução Francesa de 1789 para se popularizar.
O barroco e o rococó costumavam estar associados à aristocracia vencida, enquanto o neoclássico, baseado em construções de cidades como a democrática Atenas, era o estilo que deveria agradar ao país. Napoleão foi um grande incentivador do movimento, estimulando construções como a Igreja de Maria Madalena, projetada por Pierre Barthelmy Vignon (1762 – 1828), com inspirações clássicas como os templos coríntios romanos.


O arquiteto, teórico e professor francês Étienne-Louis Boullée (1728 – 1799) parece ter sido bastante importante para a divulgação dos ideais neoclássicos entre seus alunos. Realizou projetos de monumentos baseado em formas simples e geométricas. Na arquitetura neoclássica alemã, destaca-se Karl Gotthard Langhans (1732 – 1808) e seu Portão Brandenburg, em Berlim, construído entre 1789 e 1794.







Principalmente a partir do século XVIII, é importante ressaltar o fortalecimento das “academias“ como instituições de ensino de arte e organizadoras de exposições de trabalhos de seus membros. Foram extremamente importantes para a sobrevivência do neoclassicismo na pintura e na escultura.


Jacques-Louis David (1748 – 1825) é considerado um dos principais pintores neoclássicos, bastante prestigiado pelo governo após a revolução francesa, realizando trabalhos como desenhos de trajes e cenários para eventos oficiais, como o “Festival do Ser Supremo“, em que Robespierre autodenominava-se Sumo Sacerdote. O espírito heroico dos gregos e romanos era um valor que os franceses gostariam de que estivesse associado ao seu próprio país após a Revolução. David era ainda membro da Royal Academy. “Marat Assassinado“, de 1793, que de uma maneira simples representou heroicamente a morte do revolucionário (e amigo de David) Marat, assassinado por Charlotte Corday, é considerada uma de suas melhores obras. Mostra o líder francês morto, debruçado em sua banheira, segurando uma petição (que provavelmente fora lhe dada por Charlotte na intenção de distraí-lo), uma caneta com a qual tencionava assinar o papel e a faca com que o crime fora realizado. Entretanto, obras suas posteriores, como “Coroação de Napoleão e Josefina”, de 6.1 por 9.3 metros, com sua profusão de cores e pompa, realizada entre 1805 e 1807, já extrapolam o gosto neoclássico e a austeridade que marcam trabalhos anteriores.


Marat Assassinado, 1793



O Juramento dos Horácios


Jean-Auguste Dominique Ingres (1780 – 1867) foi um dos alunos e seguidores de David e é outro importante pintor, também conhecido pelas discussões públicas que tinha com Delacroix, defendendo o Neoclassicismo enquanto seu rival defendia o Romantismo. Suas obras eram marcadas principalmente pelo domínio técnico, precisão e clareza. Tinha profunda admiração pela antiguidade clássica e pelo trabalho de seu mestre, David.
“A Banhista“, de 1808, é um bom exemplo de seu trabalho, com suas formas, contornos, textura e composição simples demonstrando alto domínio técnico ao representar uma mulher nua sentada numa cama. “Grande Odalisque “, de 1814, é outro quadro de Ingress em que utiliza-se de uma mulher nua com contornos baseados na arte clássica. Entretanto, o próprio uso de uma figura como uma odalisca, exótica mulher ligada à cultura árabe, parece bastante próximo ao Romantismo, mais uma vez provando a tênue diferença que havia entre os dois movimentos.


A Banhista


Grande Odalisca


Na escultura neoclássica não há grande destaques. Um dos principais nomes da escultura do período, por exemplo, era Jean-Antoine Houdon (1741 – 1828), mas seus trabalhos, apesar de terem algumas características neoclássicas, não podem ser efetivamente enquadrados como obedientes à esse movimento.

Antonio Canova (1757 -1822) foi bastante ativo em defender os ideais neoclássicos mas suas obras, apesar serem consideradas efetivamente pertencentes à escola, não exercem a mesma atração que as pinturas do período. A mais famosa delas é a representação da irmã de Napoleão como Vênus vitoriosa segurando uma maçã, referindo-se ao episódio em que Páris é intimado a ser juiz em uma competição de beleza entre deusas gregas, “Maria Paulina Borghese como Vênus Victrix".

Neoclassicismo no Brasil

No Brasil, o neoclassicismo teve início em 1816, com a chegada da Missão Artística Francesa e a fundação da Escola Real de Artes e Ofícios. Portanto, podemos dizer que o movimento teve grande impulso com as ações de D. João VI, que buscavam incentivar o desenvolvimento cultural no Brasil.

 Na Literatura, podemos destacar o Arcadismo, que buscava retratar a vida simples do campo e aspectos da natureza. Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manoel da Costa foram dois escritores brasileiros que se enquadram neste contexto cultural.

Já na pintura, podemos destacar os pintores estrangeiros Rugendas, Taunay e Debret. Eles retrataram, em suas pinturas, cenas do cotidiano brasileiro da primeira metade do século XIX, além de várias paisagens, animais típicos, indígenas e diversos aspectos da natureza.




Nenhum comentário:

Postar um comentário