quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Vampira e Solteira

 
 
Sinopse - Vampira e Solteira - Série Rainha Betsy – Livro 1 - MaryJanice Davidson
 
Primeiro Betsy Taylor perde seu trabalho, a seguir é morta em um acidente de trânsito. Mas o que assusta realmente é que ela não parece permanecer morta. E agora seus amigos novos têm a idéia ridícula que Betsy é a rainha do vampiro, e querem sua ajuda com um vampiro poderoso,com fome e o mais velho em cinco séculos.
 
Só um gostinho...
 
 

- Precisa de um amigo - anunciou Marc. Estava terminando seu segundo bife com ovos. Eu permanecia fiel a meu chá com mel.

- Tenho uma. - tornei melancolicamente. - Minha amiga Jessica.

- Quero dizer alguém tolo e mau, não alguém do clube das secretárias.

Apontei-lhe um dedo no rosto. - Acima de tudo, não deboche das secretárias, nem de seus clubes — fui secretária até a semana passada.

- E depois morreu?

- Não, fui despedida do trabalho. Logo depois morri. De fato, deveria dar uma volta pelo lugar… o mas provável é que agora esteja em chamas. - Ri com maligna satisfação. - Quando despediram do setor administrativo, perderam a capacidade de chamar seus clientes, fazer funcionar seus computadores e a máquina fotocopiadora, realizar a compra de utilidades de escritório, atualizar a base de dados, entender o funcionamento da máquina de franquia… Oh, a humanidade. - Sorri abertamente ante essa imagem mental, logo retornei ao nosso mundo. - Segundo Jessica é, ao menos, o dobro da lista que qualquer dos sentados nesta mesa. Terceiro — cáspita, quando você vai comer? - Durante minha reprimenda ele tinha chamado a garçonete.

_ Estou muito deprimido para ter fome, - disse na defensiva. - Além disso, simplesmente está ciumenta.

- Tem razão sobre isso. Minha mãe preparou minha comida favorita numa outra noite e a vomitei por todo o banheiro.

- Mas pode beber? - Inclinou a cabeça para meu chá.

- Aparentemente. Não me faz nada… e sobretudo não me faz menos sedenta. Mas é familiar, entende?

- Claro. Por isso mesmo permaneço no ER. Deprime como o inferno e não se sabe como terminam as coisas, mas pelo menos você sabe onde está.

- Isso é ridículo. Se for tão infeliz nesse trabalho, deixe-o. Trabalhe em uma agradável clínica particular em alguma parte. Encolheu os ombros, olhando para o prato.

- Se, bem…

- Imagino que deve ser duro. Trabalhar em um hospital com crianças.

- É terrivel - disse com tom pessimista. - Não imagina o que aquela gente maldita faz com as crianças.

- Não quero ouvir - falei rapidamente.

- Não quero falar disso, mas esse é meu trabalho. Realmente, quero falar com você sobre isso. Conseguiu se alimentar, corretamente? Pois bem, eu poderia dar-lhe uma lista de pais que abusam dos filhos, que gostam de usar seus bebês como cinzeiros, ou os que decidem marcar com ferro quente um menino, porque fechou a porta com força. E poderia — arrumar as coisas.

- Uma guardiã chupadora de sangue? - Estava horrorizada. E intrigada.

Não, estava horrorizada - Não me ouviu antes? Que até a última semana era uma simples secretária?

- Não, - Disse Marc com ar satisfeito. Agora que acreditava que havia encontrado um objetivo, toda sua conduta — até seu cheiro!—era diferente. Tinha ido embora o garoto de olhos tristes, com uma grande depressão à costas. Em seu lugar estava o garoto das idéias. - Não me disse que pensava em lutar contra o crime para expiar seus hábitos alimentícios? Pois bem, por quê melhor para começar?

Simplesmente neguei com a cabeça e removi o chá.

- Bom, então qual é a alternativa? Não parece o tipo de pessoa que anda às escondidas pelas sombras para atrair algum incauto a seu diabólico abraço. - A magem mental me fez rir.

- E outra coisa — os vampiros não riem à toa.

- Esta aqui ri... E antes que me esqueça… - Minha mão saiu disparada. O atraí para mim e olhei-o intensamente nos olhos. – Fico feliz que se sinta melhor, mas se recair, não voltará a me procurar. Para tentar suicídio.

Olhou-me fixamente também. Suas pupilas eram meros pontos; as luzes deste café noturno eram muito fortes.

- Farei… O que quiser. Demônios. O que desejar. Mas obrigado. De todas maneiras.

Olhei-o ainda mais intensamente. Vamos, energia vampírica. Faça seu trabalho.

-Você... Não.. Vai...Se... Matar.

- Por que... está... falando... assim?

Deixei cair as mãos zangada.

- Maldição! Pude fazer com que os homens cumprissem minhas ordens desde que acordei morta. O que tem de especial?

- Obrigado por ficar tão indignada. E não tenho nem idéia. Eu... ãh... – Sua mandíbula cerrou-se e virtualmente pude ouvir como seu Q I? também caía. Ficou com o olhar fixo, sonhador, sobre meu ombro. Olhei — e quase gritei. O psicopata do cemitério estava na porta do café, me olhando diretamente. Arre! Estava contente de ver que seu cabelo parecia uma calamidade. Não podia ver suas costas, mas cheirava a algodão queimado. Bem feito!

- Oh meu Deus, - disse Marc extasiado. - Quem é ele?

- Um idiota - murmurei, me voltando para olhar, levantando minha xícara de chá.

- Aproxime-se! - Gritou Marc agudamente. - Oh meu Deus, oh meu Deus, oh, Deus meu!

- Não pode se conter? - Vaiei. - Parece uma garota excitada. Ah-há! - A compreensão me chegou, um pouco mais lentamente que de costume. - É gay! – Dei-me conta que tinha gritado e todo mundo no café cravava os olhos em nós.

- Não me diga!

- O que, não me diga? Como fiquei sabendo? Pensei que fosse heterossexual.

- Porque você é. - Ainda permanecia com o olhar fixo sobre meu ombro, tentando arrumar o cabelo, que estava tão incrivelmente curto, que nunca poderia estar desarrumado. – Eu sempre digo que todo mundo é gay.

- Pois bem, estatisticamente isso é uma bela tolice.

- Não tenho por que escutar uma crítica de uma não-morta… Holaaaa, - Terminou em tom carinhoso. Senti como caía um peso sobre meu ombro: A mão do estúpido. Desentendi-me do assunto.

- Boa noite - Disse o estúpido.

- Veja só, o corno - sussurrou calidamente. Deslizou no assento, ao lado de Marc. Ouvi um suspiro amortecido e acreditei que Marc ia deprimir se. - Não acredito que tenhamos sido formalmente apresentados.

- Estava a ponto de fazê-lo quando inseriu seu dedo em minha boca. - Pensei em lhe atirar o chá à cara, mas o imbecil provavelmente usaria Marc como um escudo vivo.

- Ah. Sim. Pois bem, meu nome é Sinclair. E você é?

- Realmente irritada com você.

- É um nome de família?

Marc estalou em risadas. Sinclair o favoreceu com um sorriso acolhedor.

- É seu amigo?

- Ninguém de seu maldito interesse.

- Dissuadiu-me de saltar para uma morte grotesca, - Informou Marc a meu archinimigo. - Então viemos aqui para conspirar sobre como vamos castigar todos os pais malvados.

- Nós, não.

- Sim, você também!

As fossas nasais de Sinclair flamejaram e se inclinou mais para jogar uma boa olhada ao pescoço do Marc (tinha um machucado, mas não havia sinais de marca de dentes), então me olhou.

- Alimentou-se deste homem?

Ruborizei. Ou ao menos, senti como se ruborizasse.

- Quem sabe? Repito: Não é nada de seu maldito interesse.

Tamborilou com os dedos na mesa. Tentei não ficar com o olhar fixo. Eram tão largos e magros, e tinha uma vaga idéia do poder neles.

Interessante. E aqui estão os dois agora. Hmm.

- Quer se unir a nós? - Disse Marc. Gemi, mas ambos me ignoraram.

- Quer uma xícara de café ou algo parecido?

- Não bebo… café.

- Oh, muito cômico, - respondi bruscamente. - O que está fazendo aqui, Sink Lair?? Se me quer cobrar o seu casaco, é mal — você mesmo procurou aquilo.

- De fato. - Seu olhar foi frio. - Essa é uma coisa da qual falaremos depois, mas no que se refere à sua pergunta, estou aqui por você, meu amor.

- Não me chame disso.

-Você pode me chamar de Isso, - disse com tom sensual. - Nostro a quer morta por suas ações desta noite. O vampiro que leve sua cabeça para ele será ricamente premiado.

- Quem diabos é Nostro?

- Nostro. É... suponho que você o chamaria de chefe tribal. Algumas vezes amiúde — os vampiros se unem em grupos e o mais forte é o que manda.

- Por que, por todos os infernos, fazem isso? -  Queixei-me. - Porque simplesmente não fazem seus próprios negócios como os faziam antes de morrer?

- Porque não lhes é permitido. Os vampiros se vêem forçados a tomar uma decisão.

- Ninguém me obrigou.

- Ocuparemo-nos disso mais tarde.

- Que?

— Para responder a sua pergunta, os não-mortos se juntam para ter amparo. Para ter uma sensação de segurança.

- Então este tipo, Nostro, esta chateado porque não participei do jogo?

- Por isso, e pelos estrondos de risada histérica que explodiram de seu peito.

Marc tinha seguido a conversação muito atentamente, e agora cravou seus olhos em mim.

- O chefe dos vampiros quis que fizesse algo, e você riu dele?

- Durante um momento. - Adicionou Sink Lair.

- Betsy, por Deus! Ele não lhe deu uma bofetada ou algo parecido?

- Deu-lhe o pior castigo que um vampiro pode dar… e também riu disso

- Então, Betsy?

- Sim, Betsy, vai fazer algo sobre isso?

- Certamente, não. - Estava o estúpido, realmente, escondendo um sorriso malicioso? Olhei, e me devolveu um olhar inexpressivo. Devia ter sido minha imaginação.

- Então você está aqui para tentar levar minha cabeça para Nostro?

- Nostro. E não, não estou aqui para isso. Você é muito bonita para lhe cortar a cabeça.

- Que nojo. Nostro é abreviatura de Nostradamus?? O imbecil é tão sem imaginação?

Sink Lair pareceu magoado.

- Sim, e sim.

- Ufa.

- Concordo.

- Então por que está aqui, Sink Lair?

- É Sinclair, e pensei que isso fosse óbvio, até para você. Você está recentemente morta e parece que é uma ameaça para si mesma. Você não conhece nenhuma das regras, e agora há um preço por sua cabeça, pelo que aconteceu setenta e duas horas desde sua transformação… um truque bonito, a propósito. Eu a tomarei sob minha proteção.

- E em troca...?- Não tinha a intenção de zumbir como se tivesse um inseto na boca, mas não pude evitá-lo. Não confiava em Sink Lair, desde o momento em que o atirei longe. Hmm… ao melhor eu era um novo estereótipo.

- Em troca, descobriremos por que é tão diferente do resto de nós. Você deveria ter sentido uma certa agonia quando lhe jogaram água benta. Em lugar disso apenas tossiu. É o que deduzo.

- Não obrigado.

- Insisto.

- Importa-me uma merda! Não é meu pai, embora seja provavelmente bastante velho para sê-lo, e...

- Que idade você tem? - Perguntou Marc ofegando.

Sinclair não o olhou.

-Nasci no ano em que foi declarada a Segunda Guerra Mundial.

Fiquei sem fôlego pelo horror. Pensar que tinha ficado atraída por este fóssil! Pois bem, não era inteiramente minha culpa… Via Sinclair como se estivesse na casa dos trinta. Não tinha uma só mecha grisalha em seu escuro cabelo, nenhuma ruga abaixo dos olhos escuros e insondáveis.

- Epa! Então tem uns noventa anos? Poxa! Não tem uma bandagem por baixo desse traje?

- É a mais ignorante, orgulhosa, exibida...

- É mais como se estivesse iniciando os sessenta - interrompeu Marc rapidamente. - E vocês dois, parem. Não quero estar no centro de uma luta corpo a corpo entre vampiros.

- Certo. Vá dormir.

- Mas estou ... zzzzzzzzzzzz...

Movi a mão rapidamente para o lugar onde a cabeça do Marc se chocaria duramente com a mesa e em vez disso terminou roncando na palma de minha mão.

Lentamente me afastei e dirigi a Sinclair um furioso olhar.

- Por que fez isso? E como o fez? Gostaria de tentar isso em minha ogrodrasta algum dia.

Olhou-me, nervoso como um bebê deitado sobre uma pilha de cubinhos de gelo.

- É desaconselhável que ele escute tantas coisas sobre nós. O que é outra questão que eu quero discutir com você. É verdade que disse à sua família que ainda está viva?

- Eu não estou viva, isso não tem nada a ver com você, como já notou?

- Não deve fazer coisas assim. Põe em perigo as mesmas pessoas que quer proteger.

- Alguém alguma vez já lhe disse que não use tantos pronomes? Tudo é ‘você é ’ e ‘ eu sou ’ e ‘ você faria’.

- Alguém alguma vez já lhe disse que você precisa de ajuda?

- Certo - falei. Termine o chá - e pus Marc na mesa bruscamente. Marc continuou roncando, abstraído. - Agora me escute. Eu não gosto de arrancarabo, e além disso, estou segura como a merda, de que não quero seus dedos em minha boca!

- Estou pensando em colocar na sua boca alguma outra coisa neste momento, - disse suavemente.

- Cale a boca! E eu não gosto de ser perseguida e eu não gosto que faça dormir os meus amigos.

- Ele não é seu amigo. Você o conheceu esta tarde.

- É um amigo recente, está bem? Agora vá embora. Posso me cuidar, não necessito sua ajuda, não quero saber de você.

- Tudo isso são mentiras.

- E tampouco quero saber de suas estúpidas tribos vampíricas. O simples fato de que eu estou morta não quer dizer que não possa ter uma vida. - Sinclair piscou quando disse isso, e continuei antes que ele me interrompesse outra vez.

- Sim – eu disse - a minha família que não estava morta… por que infernos não ia fazê-lo? Não vão me enfiar uma estaca no meio da noite... meus verdadeiros pais não o fariam. Faço o melhor que posso, obrigado por nada, e não tenho em meus planos me envolver com algum de vocês, perdedores não-mortos.

- Terminou?

- Uh - Me deixe ver, posso me encarregar de mim mesma… é problema meu a quem me dirijo, com que falo... perdedores não mortos… Sim.

- Falaremos outra vez. Chegará o momento, Miss Rogue, no qual você precisará da minha ajuda. Não sou rancoroso, e farei isso com prazer.- Sorriu-me abertamente. Era aterrador… todos os dentes brancos e os olhos resplandecentes. - Sempre e quando precisar, é só você me deixar colocar algo na sua boca de novo. Boa noite.

Poof! desvaneceu-se. Ou se moveu tão rapidamente que não o pude seguir com os olhos. De qualquer maneira, foi, enquanto eu tremia de fúria e — OH, não!—de luxúria, e Marc estava bababando em cima da mesa.

 
 


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