sábado, 5 de julho de 2014

Contos de Terror do Tio Montague - Contos de Terror - Livro 01 - Chris Priestley

 
 
O escuro causa medo por uma razão. Ou várias. Contos de terror do tio Montague é o sétimo livro de Chris Priestley, escritor, cartunista e ilustrador britânico cuja obra foi publicada tanto pela Bloomsbury Publishing – mesma editora da saga Harry Potter, escrita por J. K. Rowling – quanto pela gigante Random House. Primeiro livro de Priestley a ser publicado em português, Contos de terror do tio Montague chega ao Brasil pelo selo Pavio, da Editora Rocco, e promete captar a atenção da garotada com sua atmosfera sombria e elegante, resultado do casamento perfeito entre o texto afiado de Priestley e as charmosas ilustrações de David Roberts, na melhor linha dos clássicos de suspense.

O interesse de Chris Priestley em histórias arrepiantes vem desde sua adolescência. Pelos nomes dos dois principais personagens do livro, é possível verificar as influências do autor ao escrever a obra. Tio Montague e seu sobrinho, Edgar, tiveram seus nomes inspirados por dois grandes escritores de imortais linhas macabras: M. R. James (Montague Rhodes James) e Edgar Allan Poe. Seguindo os passos de James e Poe, o estilo narrativo de Priestley e os elementos usados nos contos são clássicos. Casas mal-assombradas, pactos com demônios, monstros estranhos, relíquias amaldiçoadas e uma cornucópia de sons e vultos que arrepiam a alma fazem de Contos de terror do tio Montague um bom exemplo de literatura de terror para jovens, mas com um toque de nostalgia para os adultos.

O livro conta a história de Edgar, um menino que se refugia na casa de seu excêntrico tio para ouvir suas histórias arrepiantes. Com pais que não dão muita importância para sua presença, Edgar procura o tio para passar o tempo, pois sua curiosidade em ouvir histórias horripilantes é tão grande quanto a vontade do tio de contá-las. Para Edgar, os contos são apenas invenções fantasiosas do velho tio. Mas para Montague, são contos que deveriam não somente assustar o sobrinho, mas ensiná-lo que, quando o assunto é o além, todo o cuidado é pouco.

Em uma espécie de metalinguagem, o leitor é apresentado aos contos assim como Edgar. A cada história contada, a principal e que une todas como uma detalhada tapeçaria – entre o tio e Edgar – fica mais misteriosa. Ora é um mordomo que traz a bandeja com o chá, mas nunca aparece, ora é a estranha presença que Edgar sente estar o observando. “Existe alguém mais vivendo aqui, tio?” Edgar pergunta ao ouvir a maçaneta chacoalhar na porta, e a resposta, embora simples, não é otimista, mas um tanto quanto ambígua: “Vivendo? Não”, responde o tio.

A narrativa de Contos de terror do tio Montague fica cada vez mais densa à medida que o tio Montague escolhe histórias mais assustadoras para contar a Edgar. Embora a narrativa seja leve e feita para ser lida em voz alta, os temas de cada conto são bem macabros e assustadores. Mas, segundo Chris Priestley, essa é a idéia, pois o autor espera que seus contos assombrem os leitores assim como os de James e Poe o assombraram.



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