sábado, 7 de junho de 2014

Branca dos Mortos e os Sete Zumbis

 

Em Branca dos Mortos e os sete zumbis, Fábio Yabu resgata a tradição clássica dos contos de fadas dos irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen, onde as histórias, mais que um simples entretenimento, servem como lições para moldar o caráter das crianças, na maior parte das vezes por meio do medo. Aqui, não há meias-palavras nem eufemismos. O mundo encantado de Yabu é atormentado, sombrio e com altas doses de tensão sexual. Os contos seguem o mote de sucessos da televisão atual, como as séries Grimm e Once Upon a Time. Protagonizadas por personagens dos contos de fadas, revelam facetas nunca antes imaginadas de suas personalidades. Além disso, os doze contos que compõem Branca dos Mortos e os sete zumbis formam uma narrativa não- linear que culmina num desfecho aterrorizante. A obra ainda conta com as ilustrações de Michel Borges, que acompanha o autor desde seus primeiros projetos. As ilustrações de Michel homenageiam os desenhos clássicos dos contos de fadas, com toques sombrios, e complementam a atmosfera sinistra e misteriosa criada por Yabu.
               
   Instigante, sombrio e arrepiante, lembra as histórias de H. P. Lovecraft, um mestre do gênero. O autor consegue prender da primeira à última página. Todos os contos são bons, mas Samarapunzel é impagável. Sério, a Samara ficaria com inveja! Medo...   
 
O Autor
O paulista Fábio Yabu tem 34 anos e muitas histórias pra contar. Desde os anos 1990, ainda no tempo da internet discada, ele já fazia quadrinhos e publicava para o mundo online. Combo Rangers (homenagem-paródia a seriados de luta japoneses, como Changeman e Power Rangers) virou revista e linha de produtos, e fez muito sucesso até ser cancelada por quase 10 anos – quando o autor decidiu, via financiamento coletivo, voltar a trabalhar com seus personagens.
Enquanto Combo Rangers dava um tempo, Yabu criou outro universo que atraiu olhares ainda mais jovens e femininos: Princesas do Mar surgiu como livro e logo virou série animada – exibida em mais de 50 países.
A facilidade em falar com esse tipo de público nunca foi motivo para que o escritor se acomodasse em seu nicho, já que também investiu seu talento pros lados da poesia e da literatura histórica e de terror.
– Na verdade, eu transito pelo universo infantil, adulto, quadrinhos pra adolescentes e poesia porque sou meio inquieto, gosto de experimentar coisas novas, estilos diferentes – explica Yabu.
Isso explica livros como Raimundo, Cidadão do Mundo (que foi adotado pelo Ministério da Educação para escolas públicas de todo o Brasil) e Apolinário, o Homem-Dicionário, que brincam com as palavras. Esse tipo de trabalho exige, além de inspiração, muita transpiração e pesquisa.
Pra dar conta de tantos estilos e histórias, em certo momento da vida Fábio Yabu despertou uma segunda personalidade, mais sinistra: Abu Fobiya é responsável por transformar contos infantis em parábolas macabras (no livro Branca dos Mortos e os Sete Zumbis) e por colocar Dom Pedro I e outras figuras históricas enfrentando criaturas decrépitas (em Independência ou Mortos!).     

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