terça-feira, 27 de maio de 2014

O Ônibus


Um céu vermelho de indignação ou espanto derramou-se sobre a pequena cidade de Acari, num dia que provou-se inédito: um ônibus da Viação Jardinense passou no horário.
 
Sete passageiros que chegaram atrasados, o que significava que chegaram cedo, tentaram entender o evento.
 
- Talvez o relógio do motorista estava adiantado - comentou o velho Antônio puxando um cigarro.
 
- Improvável - disse dona Inês. - Acho que a empresa contrata os motoristas baseados na sua capacidade de atrasar.
 
A polêmica estourou consumindo uns bons trinta minutos.
 
Por fim o neto do seu Antônio, um guri de nove anos e pouquíssima paciência aproveitou um instante de silêncio para soltar o que acreditava ser a verdade definitiva.
 
- Pelo amor de Deus, é igual o leite. Nunca ferve quando a gente está olhando!
 
Inevitável silêncio instalou-se depois disso. Ninguém pôde discutir com essa lógica.

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