quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O Urubu e a Vitória Régia


Pobre Urubu certo dia
Foi justamente pousar
Sobre uma pedra que havia
Na margem do rio mar

Onde vivia reinando
Com todo o seu esplendor,
A linda Vitória Régia
Vestida de nívea cor.

- Bendita sejas Vitória
Rainha de graças mil,
Disse o Urubu: eu te aclamo
Flor das flores do Brasil!

Ia ficar sem resposta
A saudação, mas ao fim
A altiva Vitória Régia
Voltou-se e falou assim:

- Olha lá como me falas
Oh atrevido Urubu
Ante a minha majestade
Oh infeliz, quem és tu?

Quem és tu que não te curvas
Negro da cor de retrós?
Pesa melhor a distância
Imensa que há entre nós!

E ainda mais, não te esqueças:
Da cor da neve nasci
Filha do rei amazonas
Sou eu quem domina aqui!

Quando o sol me tinge a face
Com o mais custoso carmim
Qual a Rainha da terra
Que tem uma face assim?

O Urubu caiu das nuvens
Tão espantado ficou
Que só depois de passado
Longo tempo, assim falou:

- Que nascestes cor da neve
E que és rainha, sei bem
Mas, não te esqueças vaidosa
Que nasci branco também...
E não te esqueças que embora
Ande assim de léu em léu,
Tu vives presa no lodo
E eu vivo livre no céu !

(Agnelo Rodrigues De Melo)

3 comentários:

  1. Por favor Luci em qual livro Agnelo publicou o poema o Urubu e a Vitória Regia??

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  2. Eu não sei. Esse poema era comum ser encontrados nos livros de português. Eu nunca o esqueci, então o resgatei, mas nunca encontrei referência do livro. Inclusive o autor é duvidoso porque já vi referências desse poema feitas a Monteiro Lobato, Fernando Pessoa e até Olavo Bilac.

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  3. Ouvi esse poema há 40 anos e só agora o encontrei. Maravilhoso

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