quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O Último Dançarino de Mao

 

Sinopse e detalhes


O cineasta australiano Bruce Beresford ( do premiado Conduzindo Miss Daisy) dirige o longa O Último Dançarino de Mao com delicadeza e sensibilidade. Na tela temos a uma história inspiradora de coragem, determinação e amor pontuada por excelentes números de dança. Beresford escapa habilmente de alguns clichês, recaí em outros, mas, no conjunto, realiza um filme que merece a atenção do espectador.

Baseado numa história real, o longa é a adaptação do best seller autobiográfico Adeus China: O Último Bailarino de Mao, de Li Cunxin. Começa em 1979 com o personagem central chegando aos Estados Unidos para estudar na Companhia Houston Ballet, do Texas. Em seguida, flashbacks nos levam à província rural de Qingdao, onde Li vive em condições de subsistência ao lado dos muitos irmãos e dos pais. Aos 11 anos, sua vida muda para sempre quando é selecionado por um grupo de inspetores do governo para ir a Pequim e torna-se um bailarino na Academia Madame Mao Dance.

Todo o desenrolar dessa primeira parte do filme, que se concentra no amadurecimento do personagem e suas provações, conta com excelente reconstituição de época, fruto de um trabalho de direção de arte elogiável. Os dois jovens atores que vivem Li antes da fase adulta (Wen Bin Huang, quando criança, e Guo Chengwu como adolescente) imprimem verdade e emoção a seus papéis e alicerçam o terreno para o ator Chi Cao, que nos Estados Unidos aprende a apreciar a liberdade do país e apaixona-se por uma dançarina, o que o leva a não quer mais voltar para sua terra natal. A situação causa estresse diplomático entre as nações e faz com que o bailarino fique proibido de voltar à China para rever seus familiares.

É na parte do filme ambientada na América que notamos alguns dos problemas da produção. O choque cultural de Li é desenvolvido apelando-se para toda sorte de clichês, que incluem olhares de admiração para arranha-céus, queixo caído diante de um caixa eletrônico cuspindo dinheiro e desconforto no ambiente descontraído e iluminado de uma danceteria. Da mesma forma simplória são exploradas as questões políticas, levadas de forma maniqueísta e rasa: de um lado os chineses retrógrados e insensíveis, do outro a América amante da liberdade e paradisíaca.

Apesar dessas e de outras “escorregadas”, que incluem alguns diálogos mal elaborados, O Último Dançarino de Mao se redime em seus 15 minutos finais com um desfecho forte, feito com o intuito claro de emocionar, sim, mas de cinema verdadeiramente bem realizado.

Em tempo: vale destacar a ótima atuação de Bruce Greenwood (de Super 8). Ele interpreta Ben Stevenson, diretor artístico da Companhia Houston Ballet, sem as afetações e maneirismos que muitos atores costumam imprimir em personagens homossexuais.

Fonte:
http://www.cineclick.com.br/criticas/ficha/filme/o-ultimo-dancarino-de-mao/id/2864 

Delicado, emocionante e um lembrete de que a arte não pode ser contida.







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