domingo, 22 de julho de 2012

FOLCLORE DAS AMÉRICAS - AMÉRICA CENTRAL



MITOS DA AMÉRICA CENTRAL

Mitos e Lendas do Cacau (cultura Maia)
A principal divindade Maia, chamada Coração do Céu, depois de ter criado o mundo, as árvores, as gramas, todas as criaturas do mar, os pássaros e os animais da terra, decidiu criar a humanidade. Coração do Céu fez, então, várias tentativas usando materiais comuns, como lama, madeira e, finalmente, pedra; entretanto, todas as tentativas foram mal sucedidas. Eventualmente, usando ingenuidade e criatividade, Coração do Céu formou um ser humano usando materiais diferentes produzidos pela natureza: água, terra, madeira, milho, muitas frutas e cacau. E assim, os humanos passaram a ter o cacau como um dos seus ingredientes essenciais.

Quetzalcoatl


Conta um mito que foi Quetzalcoatl - nome que significa “pássaro serpente” - quem primeiro trouxe sementes de cacau do Jardim do Éden para Terra. Para os Astecas, Quetzalcoatl tinha a imagem de uma estranha serpente emplumada, e era uma das divindades mais respeitadas e veneradas na mitologia de América Central antiga (desde a cultura Maia, onde era conhecido como Kukulkan).

COSTA RICA

As Três Laranjas Mágicas

Achando que já estava mais que na hora de seu filho se casar, um velho rei convidou princesas de todos os cantos do mundo para uma grande festa. Como o príncipe não simpatizou com nenhuma delas, o monarca o mandou procurar sozinho uma jovem que lhe agradasse.
O rapaz montou em seu cavalo e partiu. Não demorou para chegar a uma floresta, onde se deparou com uma laranjeira da qual pendiam três laranjas de ouro. Colheu-as e prosseguiu.

Logo depois sentiu sede, pois fazia muito calor. Então sacou da faca, descascou uma laranja e a cortou ao meio. Pois não é que da laranja saiu uma linda moça de olhos da côr do céu e cabelos da côr do sol? “Um gole de água, por favor!”, ela implorou. O principe não pode atender seu pedido, e a moça desapareceu.

O sol estava ardente, e o viajante não demorou a cortar mais uma laranja. Uma jovem de olhos verdes como uma lagoa da floresta e cabelos vermelhos como uma flor de hibisco lhe pediu um gole de água e, como não o recebeu, sumiu. 

O principe seguiu viagem e por fim encontrou uma fonte, onde saciou sua sede. A essa altura já estava com fome e então cortou a terceira laranja. Uma moça de cabelos negros como o corvo e o rosto branco como jasmim lhe suplicou: “Um gole de água, por favor”. O rapaz juntou as mãos em concha, encheu-as na fonte e lhe deu de beber. Assim a livrou do encantamento de uma bruxa, que a aprisionara nas laranjas mágicas.

O principe e a moça se casaram e pouco depois subiram ao trono. Quando a bruxa soube, correu para a cidade, foi até o portão do palácio e se pôs a apregoar: “Grampos! Lindos grampus! Quem quer comprar?”. A rainha ouviu seu pregão e a mandou entrar. A falsa vendedora lhe mostrou então um grampo que tinha uma pérola na ponta e pediu para colocá-lo em seus cabelos. A jovem soberana se abaixou, e a bruxa lhe espetou o grampo na cabeça com toda a força. No mesmo instante a rainha se transformou numa pomba branca e voou para a floresta.

O rei estava ali, caçando, e capturou a linda ave com a intenção de oferecê-la à sua esposa. No entanto, ao voltar para o palácio, procurou a rainha por toda parte e não a encontrou.

Nos meses seguintes seu único consolo foi a pomba branca, que lhe lembrava seu amor perdido. Um dia, acariciando a cabeça do animalzinho, sentiu uma coisa dura: era a pérola do grampo. Puxou-a imediatamente e diante de seus olhos sua bela rainha tomou o lugar do pássaro.

Ao descobrir que tudo aquilo fora obra da bruxa, o monarca mandou que seus homens a prendessem. Mas chegando a cabana da megera, a guarda real só encontrou cinzas e um rolo de fumaça escura que parecia uma forma humana.

TRINIDAD

Grilo, o Adivinho

Certa vez um Mordomo, uma criada e um cozinheiro roubaram um anel que pertencia a um rei. Aflito para recuperar a jóia, o rei publicou um anúncio que dizia: “Procura-se adivinho”.

Um marinheiro pobre e faminto, chamado Grilo, leu o anúncio e pensou: “Com um emprego desse eu poderia comer três vezes ao dia”. Assim, apresentou-se no palácio como adivinho, vendo-se encarregado de descobrir o paradeiro do anel. Como já era noite e estava cansado, pediu licença para dormir e só agir no dia seguinte. Quando acordou, pela manhã, o mordomo levou-lhe o desjejum. Grilo, que só pensava nos três pratos de comida diários, exclamou: “Aí vem o primeiro!”. Nem bem ouviu isso, o mordomo saiu correndo.

Ao meio-dia a criada apareceu com seu almoço, e Grilo, que ainda estava faminto, sonhando com suas três refeições, exclamou: “Eis aí a segunda!”. A criada estremeceu e foi embora.

As sete horas da noite o cozinheiro lhe serviu o jantar, e Grilo, lambendo os beiços, exclamou: “E aí vem o terceiro!”.
Em vez de fugir, o cozinheiro implorou: “Por piedade, não conte nada ao rei! Dou-lhe cinquenta dólares por seu silêncio!”

Grilo, que conseguiu ser muito esperto quando estava com a barriga cheia, falou: “Passe para cá o dinheiro e coloque o anel no papo do peru”. Depois procurou o soberano e lhe disse: “Majestade, se mandar cortar o pescoço do peru, encontrará seu anel”.

O rei assim fez e, ao recuperar sua preciosa jóia, não só cobriu o marinheiro de presentes como organizou uma grande festa, para que seus amigos conhecessem o prodigioso adivinho. “Podem propor qualquer enigma”, disse-lhes. “Ele nunca erra”.

Um dos convidados pegou um grilo no jardim e perguntou ao marinheiro: “O que é que eu tenho na mão?”.

Grilo ficou em silêncio, pois não tinha a menor ideia do que se tratava. Os amigos do rei o fitavam, cada vez mais desconfiados. Após alguns instantes, o monarca perdeu a paciência e berrou: “Ou você fala, ou vai fazer companhia ao peru!”.

“Aí, Grilo, em que mão tu te meteste!”, o marujo exclamou.

O convidado abriu a mão, o grilo saiu pulando, e o rei, satisfeito, premiou o marinheiro com uma grande fortuna, que lhe permitiu tomar três refeições por dia até o fim da vida.

JAMAICA

Soliday e o Corvo

Numa densa Floresta vivia antigamente um corvo gigantesco que, quando abria as asas, mergulhava o mundo inteiro na escuridão. Um dia ele abriu as asas e não as fechou mais.

O rei do pais, que ficou mais escuro, ofereceu então uma grande recompensa, bem como a mão de uma de suas filhas, a quem conseguisse matar o corvo e devolver a luz ao planeta.

Milhares de homens enveredaram pela floresta, dispostos a eliminar o pássaro daninho, porém todos fracassaram.

Um dia um rapaz pobre, chamado Soliday, disse para sua avó: “Vou tentar acabar com aquele bicho maldito”.

“Não seja bobo, menino”, a avó falou.

Sem lhe dar ouvidos, o jovem foi até Kingston, onde comprou um arco e seis flechas, e partiu para a mata. Quando avistou o monstro, empoleirado no alto de uma árvore, cantarolou: “Bom dia, seu corvinho, bom dia, seu corvinho, bom dia, seu corvinho, como é que vai você?”.

O pássaro saltou para um galho mais baixo e respondeu: “Bom dia, Soliday, bom dia, Soliday, bom dia, Soliday, como é que vai você?”.

O rapaz disparou uma flecha e arrancou duas penas da asa negra que escurecia a metade do mundo. Então repetiu sua cantiga, fez o pássaro descer mais um galho e arremessou a segunda flecha, arrancando duas penas da asa negra que escurecia a outra metade do mundo. Assim agiu até atrair o corvo para o galho mais baixo, onde o atingiu em cheio com um disparo mortal.

Anancy, a aranha, que estava escondida na copa da árvore vizinha, viu tudo e ficou quieta.

Quando finalmente deu cabo do pássaro, Soliday lhe cortou a língua dourada e tirou seus dentes de ouro. Então guardou os troféus no bolso e correu para casa, a fim de contar a façanha à avó.

Então Anancy desceu pelo tronco áspero, jogou a ave nas costas e atravessou a floresta para ir bater no portão do palácio.

Quem é?” “Sou eu, Anancy! Matei o corvo!
Imediatamente o portão se escancarou. O rei recebeu a aranha com mil agradecimentos e lhe deu a mão de sua filha mais bonita.

Durante o banquete nupcial todos celebravam o retorno da luz e o casamento da princesa, mas Anancy só vigiava a porta, com medo de que o autor da façanha aparecesse para reclamar seu prêmio.

De repente ouviu-se uma batida no portão. Anancy pediu licença e saiu da mesa, enquanto todos os convivas se dirigiam para o jardim.
“Quem é?”, perguntaram a uma só voz.
“Sou eu, Soliday! Matei o corvo!”

“Impossível ...”, os convidados exclamaram em côro. “Foi Anancy que o matou”.

Entre”, disse o rei, abrindo o portão. “Quero ver se tem prova do que afirma”.
Soliday entrou e mostrou a todos os dentes e a língua de ouro. Ao constatar que o recém-chegado dizia a verdade, o rei, furioso, dirigiu-se para a porta e a encontrou trancada.

“Anancy!”, gritou.
“Já vou!”, ela respondeu, acrescentando: “Não me sinto nada bem ...”. Na verdade, enquanto todo mundo esperava lá fora, a aranha fazia um buraco no teto para se esconder, pois estava morrendo de vergonha.

Por fim o rei derrubou a porta a pontapés, disposto a trucidar Anancy com suas próprias mãos, porém não a encontrou em lugar nenhum. Alguns dizem que ela se perdeu para sempre nas vigas do telhado.

Assim, Soliday se casou com a filha mais linda do rei e se tornou um dos homens mais ricos do mundo.




Fontes Pesquizadas
www.planetacacau.com.br/fique-por.../mitos-e-lendas-do-cacau/27/
Philip, Neil. Volta Ao Mundo em 52 Histórias – São Paulo; Companhia das Letrinhas, 1998.

3 comentários:

  1. Que legal esse tipo de conto, a fonte e o fundo preto atrapalharam um pouco a leitura, mas foi legal. (:

    Beijos,
    http://eppifania.blogspot.com.br

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    1. Obrigada pela visita. Lamento que a fonte tenha atrapalhado. Evitarei usá-la no futuro.

      Beijos e seja sempre bem vinda.

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  2. Passando para te desejar uma boa noite!
    Aproveitando, para desejar felicidades aos amigos, nunca é tarde e nunca se esta atrasado viu!!
    FELIZ DIA DOS AMIGOS
    Beijos e uma excelente semana pra voce.
    Com muita paz e muita luz.
    http://ciganaluminosa.blogspot.com.br/

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