domingo, 15 de julho de 2012

Escultura Grega


Venus de Milos - Museu do Louvre

No primeiro período enfocado, chamado Geométrico (c. 900-700 a.C.), a escultura se manifestava discretamente, através de estatuetas votivas de pequenas dimensões em bronze e barro, mostrando formas altamente estilizadas de pessoas e animais, evidenciando um artesanato de considerável habilidade. Não foram encontrados traços de estatuária de grande porte, mas é possível que tenha existido; realizada em materiais perecíveis como a madeira. Outros artefatos como armas, joias, camafeus e vasos podiam trazer pequenos adornos de caráter escultórico.

Estatueta de guerreiro do período geométrico

Em seguida, durante o Período Dedálico (c.650-600 a.C.), também chamado orientalizante, a escultura recebeu influência oriental e egípcia e aumentou suas dimensões, com um estilo caracterizado pela rígida frontalidade, o modelado achatado do corpo e o desenho simplificado da anatomia, que é antes uma abstração do que uma observação da natureza. O rosto é esquemático e triangular, as orelhas podiam ser omitidas e o cabelo cai em grossas madeixas. As pernas são usualmente longas e a cintura é alta e estreita.

 Kore dedálica chamada de Dama de Auxerre, c. 635 a.C., Museu do Louvre

Nesta fase se inicia a consolidação de dois modelos formais de grande importância para o subsequente período arcaico: a figura masculina (kouros) e a feminina (kore). No caso das estátuas femininas elas aparecem com longas túnicas, mas nas masculinas a nudez é a regra. O kouros, com sua anatomia completamente exposta, assumiu uma importância superlativa para o desenvolvimento da escultura grega, já que aquela sociedade só viria a permitir a exposição do corpo feminino desnudo em torno do século IV a.C. Neste mesmo período há registro dos primeiros exemplos de escultura monumental associada à arquitetura, na forma de frisos e frontões em relevo.

O Período Arcaico (c. 600-500 a.C.) assistiu à progressiva urbanização da Grécia e a cultura se concentrou nas cortes das novas cidades, as pólis, que floresceram com total autonomia - daí a formação de escolas artísticas regionais, tendo como principais centros Atenas, Esparta e Corinto. A decoração escultórica arquitetônica se tornou mais comum e apareceram diversos exemplos notavelmente experimentais, testando novas formas de composição em grupo e novas formas de narrativa visual. Entre os materiais, o mármore passou a ocupar um lugar privilegiado, mas a terracota continuou a ser bastante usada. Os kouroi e as korai continuaram sendo as tipologias estatuárias mais destacadas, adquirindo nesta época, em alguns casos, dimensões gigantescas, ainda que o tamanho natural fosse a praxe. O progresso na técnica do entalhe da pedra é evidente nas estátuas dessa fase, em relação à anterior. Também houve sensíveis avanços em direção a um maior naturalismo na descrição anatômica, sem que isso chegasse a quebrar as rígidas regras da frontalidade e da idealização abstratizante.
 Kouros Anavyssos, c. 530 a.C., período arcaico.

Mas talvez mais importante tenha sido a formação nas cortes aristocráticas de um corpo de conceitos éticos, cívicos e pedagógicos que teriam influência marcante sobre a arte, englobados no conceito da paideia - Era o ideal que os gregos cultivavam do mundo, para si e para sua juventude. Uma vez que o governo próprio era muito valorizado pelos gregos, a Paideia combinava ethos (hábitos) que o fizessem ser digno e bom, tanto como governado quanto como governante. O objetivo não era ensinar ofícios, mas sim treinar a liberdade e nobreza. Paideia também pode ser encarada como o legado deixado de uma geração para outra na sociedade. O termo também significa a própria cultura construída a partir da educação. - que em suma associava beleza com virtude e bondade. 

Os kouroi não eram produzidos meramente com fins estéticos, mas eram oferendas religiosas colocadas santuários, marcavam a tumba de alguma personalidade ou eram monumentos públicos; e não representavam pessoas individualizadas, sendo antes a corporificação de um ideal de beleza, honra, virtude, piedade ou sacrifício. Os kouroi arcaicos, distinguindo-se da tradição dedálica, exibem um corpo vigoroso já com algum delineamento anatômico, um porte augusto e uma atitude de inabalável confiança e altivez, refletindo os valores da aristocracia. Às vezes podiam representar atletas vencedores dos Jogos, mas mesmo nesses casos não se pode dizer que eram verdadeiros retratos. As korai, por sua vez, adquirem uma feição bastante ornamental e dinâmica, mostradas em atitudes de dança ou oferenda, e sempre cobertas com ricas túnicas e complexos penteados.

A fase seguinte, conhecida como Período Severo (c.500-450 a.C.), se define por consistentes avanços na observação da natureza, refletida no rápido abandono da tipologia fixa e hierática do kouros e da kore, acompanhando o declínio da aristocracia e o surgimento de uma forte classe burguesa urbana. A arte adquiriu mais independência de funções religiosas e públicas, sendo praticada, como analisou Arnold Hauser, até certo ponto "pelo seu próprio valor e pela beleza que revela". Os detalhes decorativos foram minimizados, os traços anatômicos principais receberam a maior parte da atenção, e o interesse pela caracterização das emoções e pelo seu potencial narrativo conduziu a uma exploração de suas repercussões sobre a dinâmica corporal. Foi formulado um novo cânone de proporções, mais elegante, alongado e desenvolto, se passou a tratar diferentemente deuses e homens, e apareceram representações mais verossímeis da velhice, embora as crianças ainda fossem adultos em miniatura e ainda existisse grande idealização em todas as formas. 

Depois da derrota dos persas em 479 a.C. Atenas passou a exercer uma inconteste hegemonia cultural sobre toda a Grécia e deu-se a passagem para o Período clássico (c. 450-323 a.C.). Com Péricles iniciou-se um grande programa de obras públicas e reconstrução da Acrópole, cuja direção foi confiada a Fídias, talvez o mais celebrado dos escultores gregos. Ele, junto com Míron e Policleto, este ativo em Argos, foram os principais responsáveis pela formulação de um novo estilo de representação que unia de maneira admirável idealismo e naturalismo, transmitindo uma impressão de atemporalidade, equilíbrio, beleza e harmonia. Policleto é especialmente lembrado por ter elaborado um novo cânone – conjunto de regras - de proporções de larga influência, exemplificado, acredita-se, na figura do Doríforo. O interesse pela representação anatômica fidedigna se tornou dominante, mas também neste período a escultura concentra o idealismo nas formas e proporções. Desenvolveu-se a técnica do bronze em cera perdida, que passou a ser o material de eleição para a estatuária independente, continuando o mármore a ser usado na escultura arquitetônica.
Policleto: O Doríforo, período clássico.
A fase inicial do período clássico se caracterizou por formas majestosas, austeras e impassíveis; na segunda fase se verificou um abrandamento no cânone, aparecendo formas mais humanizadas, graciosas e expressivas, e desenvolvendo-se um interesse pela representação eficaz da estatuária em todos os seus ângulos, sepultando definitivamente os últimos resquícios da frontalidade. Na segunda fase pontificaram Praxíteles, Escopas e Lísipo. Praxíteles ganhou fama principalmente por ter sido o primeiro a representar em tamanho natural a mulher nua, na célebre Afrodite de Cnido.  O sucesso da escultura clássica foi imediato e desencadeou um fértil debate teórico entre importantes pensadores da época, como Platão e Aristóteles, que inauguraram com isso um novo ramo filosófico, a Estética. Também foi o estilo que mais duradoura influência exerceu ao longo da história da escultura do ocidente, tornando-se quase um sinônimo para "escultura grega". Pouco da produção clássica original sobreviveu, sendo particularmente dramático o desaparecimento de quase todos os bronzes, e a maior parte do que hoje se conhece são cópias romanas. 

 Afrodite de Cnido de Praxíteles

O período helenístico inicia com a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., e se estende até a dominação romana em 146 a.C., mas alguns autores o prolongam até a conquista romana do Egito em 50 d.C., ou até 31 d.C., data da Batalha de Actium, quando Augusto derrotou Marco Antônio e encerrou a dinastia ptolemaica egípcia. Foi um período de grande expansão para a arte grega, levada por Alexandre até a Ásia e norte da África, de onde recebeu várias influências. A escultura helenística é cosmopolita, muito mais variada do que a clássica, e em termos técnicos é mais refinada. Desenvolveu-se numa fase em que se deu grande valor à História, assimilando com isso elementos de estilos mais antigos em sínteses novas e ecléticas. Também foi marcante a secularização em todos os domínios da arte, surgiram colecionadores e foram abertas galerias públicas, e popularizou-se a representação da infância e de temas profanos e domésticos. Outros temas, como a morte, o sofrimento, o erotismo, o grotesco, a alegria despreocupada, a velhice, as deidades não-olímpicas, antes pouco explorados, apareceram com frequência, ao mesmo tempo em que apareceram as primeiras representações verossímeis de fisionomias individuais, os primeiros retratos verdadeiros. Entre suas contribuições originais à tradição grega de escultura estão o desenvolvimento de novas técnicas e o aperfeiçoamento da representação da anatomia e da expressão emocional, abandonando-se o genérico em favor do específico. Isso se traduziu no abandono do idealismo clássico de caráter ético e pedagógico, enfocando os aspectos humanos cotidianos e direcionando a produção para fins puramente estéticos e, ocasionalmente, propagandísticos. Seu estilo geral é, em suma, realista, tendendo a enfatizar o drama, o prosaico e o movimento. A escultura helenística foi a base da formação da escultura romana, com seus princípios essenciais permanecendo em vigor ainda por muitos séculos à frente. Também foi importante para a cristalização da iconografia de Buda, no oriente.

Esculturas helenísticas:











 Fonte:
pt.wikipedia.org/wiki/Arte_da_Grécia_Antiga

 





2 comentários:

  1. Grande aula de escultura, amiga melydande.
    UM abraço. Tenhas uma linda semana.

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  2. Pôxa!

    Que aula, heim!!!???

    um abç, Mely!

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