quinta-feira, 31 de maio de 2012

Junho, Mês de São João

“Junho, mês de São João, é mês de milho, festivo sonoro, inesquecível, da humilde pipoca ao bolo artístico. Junho, no Império dos Incas, era a ‘Páscoa do Sol’, Inti-Raymi, colheita do milho dominador"
Luís da Câmara Cascudo, em "História da Alimentação no Brasil".



Maior festa do Nordeste brasileiro, embora seja comemorada nos quatro cantos do Brasil, o São João é uma tradição tão enraizada quanto o Natal e o Carnaval. A festa, que possui elementos culturais portugueses, espanhóis (da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, comum em Portugal e na Espanha), franceses (a dança marcada, típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as quadrilhas) e chineses (a tradição de soltar fogos de artifício veio da China) ocorre em 24 de Junho, mês também dedicado a Santo Antônio, no dia 13 e São Pedro e São Paulo, ambos no dia 29.

Contudo, a estrela maior dessa festa é o milho, presente desde as marchinhas juninas à culinária e na decoração. Todos os anos, em períodos de seca – que infelizmente são comuns no Nordeste – é comum escutar os avós e pais comentarem com tristeza “que talvez esse ano não tenha milho”. E sempre o dizem com aquela expressão de decepção de uma criança a quem informaram que não haveria presentes no natal. Mas não se enganem. Na véspera da festa, principalmente em cidades pequenas onde a tradição ainda é forte, todos se empenham em uma cruzada em busca do milho que incluem desde os supermercados a madrugarem nas feiras de rua e visitarem os sítios da região. O preço do milho vai às alturas, mas é rara a família que no dia da festa não tenha pelo menos algumas espigas para a comemoração.

Alerta: se esperar pra comprar no dia da festa, será um milagre se conseguir até um milho enlatado!

O jornalista cultural Xico Nóbrega, nascido no Rio Grande do Norte, comenta em seu artigo sobre as festividades juninas no Nordeste que, “embora tenha influência marcante na culinária brasileira, o milho costumava reinar mesmo na orla do Pacífico, da América Central e do Norte. As civilizações asteca, inca, chibcha, maia, alimentaram-se do milho e as populações contemporâneas são devotas desse hábito até hoje. A presença do milho na América era tanta a ponto de marcar o panteão de suas divindades. Tonacajohua, a que nos sustenta, é a deusa do milho no México. Zia é outra divindade a ele dedicada. Um deus da agricultura esculpido num túmulo milenar no Peru ostenta a haste de milho como um cetro”. 

Fonte:

Outra presença marcante dessa festa é a decoração, feita com muitas bandeirinhas, chita (tecido de algodão com estampas de cores fortes e florais), palha, juta e balões (apenas decorativos; no Brasil soltar balões constitui crime gravíssimo). As fogueiras e a culinária tradicional também são imprescindíveis. 

Com a comemoração do centenário de Luiz Gonzaga este ano, as festas juninas terão uma característica única, já que a maioria das cidades nordestinas está dedicando ao ídolo a festa de São João de 2012.

Assim, este mês, todas as sextas-feiras até o São João estarei abordando algum tema ou característica dessa festa maravilhosa. E já estou preparando a decoração da minha...
















segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Edifício Martinelli - SP


                                                         Detalhe dos andares superiores.


O Edifício Martinelli, com 30 pavimentos, foi o primeiro arranha céu da América Latina. Está localizado no triângulo formado pela Rua São Bento nº405, Av. São João nº 35 e Rua Libero Badaró nº 504, no centro de São Paulo.
Erguido com a técnica construtiva de alvenaria de tijolos e estrutura de concreto. Atualmente, considerado o símbolo arquitetônico mais importante do momento de transição da cidade baixa. A construção foi iniciada em 1924, inaugurado em 1929 com 12 andares seguindo até 1934 finalizando a obra com 30 andares (130 metros).
Foi arquitetado e projetado pelo arquiteto húngaro William Fillinger, da Academia de Belas-Artes de Viena. Sem apoio governamental para terminar a obra, Martinelli foi obrigado a vender uma parte do empreendimento ao "Istituto Nazionale di Credito per il Lavoro Italiano all´Estero" do Governo Italiano, motivo pelo qual o Governo Brasileiro tomou o prédio para si, em 1943.
Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, abrigou em seus terraços superiores, uma bateria de metralhadoras antiaéreas, para defender São Paulo do ataque dos chamados "vermelhinhos", os aviões do Governo da República, que sobrevoavam a cidade ameaçando bombardeá-la.

 
                                                     Terraços luxuosos do Edifício Martinelli.

Vários partidos políticos tiveram suas sedes no Edifício Martinelli: o antigo PRP (Partido Republicano Progressista), PC (Partido Constitucionalista), PI, posteriormente a UDN (União Democrática Nacional). Os clubes da cidade também ocupavam as suas dependências como o Palestra Itália, hoje o Palmeiras, a Portuguesa de Desportos e o IT Clube, hoje desaparecido.
A partir da década de 50, o edifício entrou em uma fase de degradação extrema, ocupado por moradores de muito baixa renda, com o lixo sendo jogado nos buracos do elevador e servindo de cenário para alguns dos crimes mais famosos da época.
Em 1975 foi desapropriado pela prefeitura e completamente reformado pelo Prefeito Olavo Setúbal, reinaugurado em 1979 onde se encontra nas atuais condições. Hoje abriga as Secretarias Municipais de Habitação e Planejamento, as empresas Emurb e Cohab-SP, a sede do Sindicato dos Bancários de SP além de diversos estabelecimentos comerciais na parte térrea do edifício.


 
                                                                Casa do Comendador.

No 26º andar exibe um belíssimo terraço do qual se tem uma visão panorâmica da cidade, avistando-se o Pico do Jaraguá, as antenas da Paulista e os milhares de prédios que compõe a paisagem urbana da cidade. Também nesse espaço foi construída a "Casa do Comendador", réplica de uma villa italiana, onde a elite de São Paulo se reunia em suntuosas festas. Foi construída como moradia da família Martinelli para "provar" ao povo que o prédio não cairia.


Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Edif%C3%ADcio_Martinelli